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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

E NO PRINCÍPIO FALTAVA O VERBO... POR RICARDO AVARI


“Era uma vez a música popular européia. Se casou com a música popular africana e tiveram um filho chamado Blues que, apesar de muito melancólico, era vivaz e inteligente. Porém, não levava muito jeito para a criatividade.

Metade de tudo que Blues fazia era cópia. Ele tinha uma boa idéia, criava cem outras inspiradas naquela, e às vezes elas eram tão parecidas umas com as outras que ninguém percebia a diferença.

Daí veio uma iluminação: e se ele dissesse coisas diferentes de uma para a outra? Afinal, no tempo em que Blues estava mais produtivo, as pessoas tinham inventado uma coisa que substituía a memória, e tudo que Blues cantava era gravado e comparado. Então, Blues começou a colocar palavras contando histórias ou reclamando ou chorando. E essas palavras se tornaram a parte principal do que Blues fazia”.

Bom, vão reclamar que eu disse que blues era pouco criativo. Mas é verdade: o blues é tremendamente repetitivo quanto a suas melodias. Quantas músicas conheces que começam com “TAM-ranranran-Tan... Tum tum, Tum tum, TAm-ranranran-Tan”? Isso faz com que a letra da música seja muito mais importante do que era nos demais gêneros musicais nascidos até então. E isso foi tirado da música folclórica de marinheiros, fazendeiros e demais pobretões do mundo. O Blues criou a letra de música como conhecemos hoje.

Porém, não sofisticou a fórmula. Isso quem fez foi o folk quando se encontrou com o Rock. Um tal de Dylan viu que as letras das músicas eram pouco aproveitadas para expressar opiniões políticas, sociais, de relação em seu nível mais profundo de sentimentos (e deve ter se lembrado que os bardos antigos usavam a música para passar críticas disfarçadamente). Daí ele criou a letra de música poderosa que se tornou o melhor que o Rock pode fazer. 

E de repente, todo mundo descobriu o que uma boa letra podia fazer. O pop se apropriou disso. O clássico, a ópera reclamou e disse que ia fazer mais ainda. O blues disse que colocou no jazz e ninguém deu bola. Mas até então a conversa estava equivalente.

Daí o Dylan deu maconha para o Lennon.

Todo mundo discute onde o mundo deu a virada que criou a revolução de costumes dos anos 1960. Foi aí. O Dylan virou para os Beatles e disse que eles tinham o poder de fazer milhões de pessoas pensarem, e não deviam desperdiçar isso só falando de sentimentos, por melhor que fizessem isso.

E logo depois que eles se falaram, os Beatles ruminaram as palavras de Dylan cravadas em suas cabeças (para a versão hilária do encontro, vejam isso: http://www.maniacworld.com/beatles-meet-bob-dylan.html ) e algum tempo depois, deram o salto de qualidade que faz deles a maior banda de todos os tempos.

Logo depois do encontro, lançaram o “Beatles for Sale”, depois o “Help”, mas daí veio o “Rubber Soul”, pouco mais de um ano depois do Bob lhes falar do poder da letra de música. E os Beatles transformaram a música para sempre em algo que tem letra como essência e instrumental como alma. Lennon foi o que melhor aprendeu a lição e não só escreveu o melhor de si na carreira solo como viveu de acordo com o poder de transformar que suas palavras tinham.

Daí se estabelece o Norwegian principle: qualquer banda que se diga ser “A melhor de todos os tempos” deve provar que tem uma música no mesmo nível de Norwegian Wood. Se tiver, tem que mostrar que no mesmo disco tem outras tão boas quanto Nowhere man ou In my life. Daí a gente começa a conversar sobre ela ser boa mesmo.

Por que o assunto? Por que repentinamente discute-se demais a péssima capacidade de criar letras interessantes da música popular de hoje. Esqueceu-se que elas precisavam dizer algo, não só diferenciar uma música da outra. Sem ter o que dizer, são todas iguais.

Um dia, a era em que as rádios tocavam letras como as de Cazuza, Renato Russo e Lobão vai voltar. Pois ninguém vai saber falar se não acontecer logo.


Por Ricardo Avari

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

ATAQUE EXTREMO FESTIVAL - SÃO CAETANO DO SUL - 10/02/2012




Ataque Extremo Festival.


Dia 10 de Fevereiro São Caetano do Sul vai tremer !!!

Primeira edição deste festival que promete ser grandioso, e vai contar com grandes nomes do Hardcore / Thrash e Death metal de São Paulo e do grande ABC.

Nervosa
Red Front
Heresia 666
Infamous Glory
ChaosLace
ImminetChaos

O evento será realizado no Espaço Cidadão do Mundo Arte e cultura, associação cultural que desde 1996 desenvolve atividades culturais na região do ABC Paulista, e realiza muitos shows de vários estilos musicais e desta vez abre espaço para este grande evento de música extrema.

Data : 10/02/2012
Horario: as 21:00 h
Entrada: R$ 10,00

Endereço: Cidadão do Mundo – Arte e Cultura
Rua Rio Grande do Sul, 73 - Centro – São Caetano do Sul – SP
Prox. da estação de trem e terminais de onibus de São Caetano do Sul
Informações: (11) 9843.6692 


Apoiam este evento:
Virtua Rock - www.virtuarock.com.br

Mais informações: www.ataqueextremo.blogspot.com/

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

PERSONAGEM DO SONORO PANEGÍRICO PREMIADO NO FACEBOOK

O personagem que deu vida e  identidade ao blog SONORO PANEGÍRICO, acabou de vencer uma promoção no Facebook, na página do Chrome Bags Street Art. Criação da designer Akemy Hayashi, o desenho concorreu com outras nove ilustrações/fotografias/montagens, vencendo ao final com 253 cliques! Veja aqui:
Link do Facebookhttp://www.facebook.com/chromebagsbrazil/posts/198886330203432?cmntid=198890350203030
Akemy Hayashi no Facebook: http://www.facebook.com/akemy.hayashi  

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

The Suman Brothers Band no Santa Sede Rock Bar - 17/12/2011 - 20h

Informações do http://www.facebook.com/events/310801028941367/



THE SUMAN BROTHERS BAND

É isso amizade. O ano chegou ao fim. Para uns, 2011 foi lindo. Para outros nem tanto. Para todos, sem dúvida, ele está chegou ao seu momento derradeiro e nós adoraríamos que você viesse participar dessa grande festa de encerramento do ano com a banda dos irmãos Suman!!!

Nesse dia o plano é deixar o Santa Sede Rock Bar mais cheio do que nunca, afinal, o ano também tá acabando pro pessoal do bar e podemos deixá-los mais felizes.

A banda está preparando várias surpresas para essa data tão especial, incluindo coisas novas no repertório e uma performance nunca antes vista pelo seleto público frequentador. Haverá uma grande lista de convidados especiais também. Guitarristas, baixistas, tecladistas, gaitistas, vocalistas... todos os nossos amigos músicos... presenças a serem confirmadas em breve.

Não perca! Vai ter muita calça boca de sino, sapato bico fino, cabelo comprido, guitarra gritando e muito mais, num grande show de rock, blues e tudo o mais.

SANTA SEDE ROCK BAR

O Santa Sede Rock Bar é hoje - sem dúvida - a grande casa de rock and roll da Zona Norte paulistana. Tem sempre boa música rolando, o público é sempre bacana, completamente pacífico e familiar. Dá pra levar pai, mãe e até os avós, além dos filhos, obviamente. Talvez até sua cunhada insuportável e aproveitadora goste de lá!

O preço é justo e a cerveja está sempre estúpida de tão gelada. Também tem uns bons drink, se você quiser, ou uma grande variedade de cachaças de primeira linha.

INFORMAÇÕES
Avenida Luis Dumont Villares, 2104 - Próx. ao Metrô Parada Inglesa
Mais informações: 2639-0259 ou www.santasedebar.com.br
Couvert Artístico: R$ 5,00
Apoie o artista, pague o couvert.

*****ANIVERSÁRIO DA ANGELA MARTINEZ*****
*****ANIVERSÁRIO DO DANIEL MAGRI*****
*****ANIVERSÁRIO DO ROBERTO ABU*****

COMPAREÇA! Isso só acontece no Santa Sede.

"If you ever change your mind about leavin' me behind, bring it to me, bring your sweet lovin', bring it on home to me"

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

VAMPIRE! - Por RICARDO AVARI


Em 1987, Peter Tosh lançou seu último álbum: “No Nuclear (holocaust) War”. Em setembro do mesmo ano, foi assassinado por assaltantes, um dos quais ele mesmo tentara ajudar a conseguir emprego após anos preso. Há quem diga que o assassinato foi encomendado, como se diz de todo músico ativista morto. É provável, como é com todo músico ativista morto, que o boato seja verdade.

O que um músico de reggae, estilo associado à paz, maconha, defesa dos direitos humanos e de liberdade de expressão, Sol, praia e Caribe tem a ver com vampiros?
No álbum há uma música chamada “Vampire”, um dos reggaes mais geniais já compostos. Atentemos para o fato de que Tosh é o segundo mais conhecido compositor do Reggae, logo atrás de seu companheiro no The Wailers, Bob Marley. “Vampire” usa a figura do vampiro como um símbolo para tudo aquilo que suga a autenticidade, a leveza, a pureza dos jovens. O vampiro da música é velho, carrega o passado como uma jaula onde prender os que pensam inovadoramente.

A capa do disco mostra Tosh usando uma máscara antirradiação na frente de uma explosão nuclear, e aos seus pés estão bombas, uma americana e outra soviética. O visual do alienígena do filme Predador deve ter sido inspirado nesta capa!
A composição é terrivelmente atual. Enquanto o resto do disco hoje soa datado, Vampire poderia ter sido composta ontem. Não fosse um porém: o vampiro atualmente em moda é um cretino.

Aí entra o assunto. Pra quê vampiros? O vampiro se tornou figura literária popular depois de um surto de casos de vampirismo relatados no leste europeu no século XVIII. As lendas circulavam há tempos, mas bem na época em que o iluminismo destruía a maior parte do obscurantismo medieval, explodiram relatos que colocaram em polvorosa a mente que buscava explicações naturais para tudo que existia. O Vaticano enviou um especialista para descobrir o que acontecia, o padre Calmet, conhecido por sua prudência e cientificismo. E o tiro saiu pela culatra! Seu relato não nega nem confirma acontecimentos sobrenaturais, e torna disponível ao mundo imensa quantidade de dados sobre como é, se combate e se localiza um vampiro.


Sobre o padre Calmet: mais informações aqui: http://www.fafiuv.br/img/noticias/fotos8/calmet.pdf

Em suma, falem bem ou falem mal, mas falem de algo e essa coisa ganha fama. O fim do surto de vampiros iniciou um período de apropriação da criatura pelo imaginário popular, enquanto os livros ganhavam popularização junto às massas. O vampiro acabou, no processo de literarização, perdendo muitas de suas características macabras originais (o vampiro renascentista era mais um zumbi do que um humano) e ganhando contornos do romantismo, pendendo para (pasmem) uma espécie de “Lobo mau”, aquela criatura que sob um disfarce simpático oculta um monstro sedento por aquilo que te faz viver.

O vampiro do romantismo é de certo modo mais assustador do que o vampiro morto-vivo de antes. Nesta época o vampiro ganha ares muito humanos, e humanos são terríveis. E podem andar sob a luz do sol, embora fiquem sem seus poderes sobrenaturais. Hollywood poda esta característica e os impede definitivamente de andar sob o sol, para bem do medo nos filmes. E funcionou tanto que hoje muitos críticos do vampiro purpurina esquecem que o cinema inventou essa do sol-mata-vampiro.

O espaço dos vampiros é conquistado de vez com a publicação de Drácula, e metade do que se fala hoje para estabelecer o que deve ser um vampiro passa por ali. Só que Bram Stocker usa de tanta liberdade mítica para retratar o seu vampiro quanto qualquer autor atual. Não existe UM vampiro modelo.

Conforme passaram os anos, os vampiros se tornaram símbolos de um mal elegante, aristocrático – a burguesia e seu poder sobre os que trabalham? – e sedutor. De onde surge também o fascínio pela idéia de ser imortal, apesar do preço a ser pago, ser monstro para ser imortal. O vampiro é a deturpação da imortalidade da alma. Só que nos anos 1960 (sempre ali) a contestação alcançou também o terror, e o vampiro se torna também algo que vai contra o status quo. E uma autora então jovem absorve a idéia do vampiro como o jovem que vive a noite eternamente. Anne Rice cria o vampiro modernista, que se torna padrão em obras como o seu “Entrevista com o vampiro”, ou em filmes como “Os garotos perdidos” e “Quando chega a escuridão”.

Que filme é esse último, Ricardo? Meu exemplo de bom filme moderno. Poderia ser “30 dias de noite”, “Deixa ela entrar” (objeto desta postagem aqui: http://biocenico.blogspot.com/2009/12/deixa-ela-entrar-mesmo.html) ou “Vampiros, los muertos”, mas esse é desconhecido e merece aplausos.

O sucesso de “A hora do espanto” estimulou uma série de filmes adolescentes. A idéia moderna dos vampiros a lá Anne Rice fez com que fossem retratados como os monstros sedutores das mais diversas situações contemporâneas, desvencilhando de vez o mito dos cenários góticos, e um dos sub-subgêneros que surgiu foi o “vampire-western”, com vampiros que atacavam nos EUA caipiras. “Quando chega a escuridão” é deste subgênero. Não há glamour nestes vampiros. São criaturas sanguinárias, sobrenaturais até o osso, e exploram o gênero dos caninos longos até a última gota.

É dirigido pela então desconhecida esposa de James Cameron, Kathryn Bigelow, hoje oscarizada. Pegou amigos emprestados de filmes do então marido: Bill Paxton, Jenette Goldstein e Lance Henriksen (sensacionais). Mais, os fez atuar como criaturas medonhas, desprezíveis, psicóticas. Retrata o dilema do humano tornado sanguessuga sem frescura. Eles se entregam ao que são, embora saibam de seus tempos como humanos. Em certo momento, a vampira protagonista, que se apaixona por um humano (é, começou longe essa história) dispara ao olhar para as estrelas que quando a luz delas chegar à Terra, ela estará lá para ver. A idéia calou fundo no que penso de vampiros e me fez questionar a validade da imortalidade a esse extremo.

A primeira impressão é só a de que um daqueles grupos de caipiras ultraconservadores armados até os dentes agora tem uma desculpa para matar pessoas sem se preocupar com as balas da polícia, até você parar pra pensar no que acontece. As críticas sociais são equivalentes às de George Romero com seus zumbis consumidores de cérebros, a construção dos personagens milimetricamente pensada, a condução do suspense precisa como um cronômetro, e ao mesmo tempo, o ritmo que anima o filme é apimentado e os diálogos afiadíssimos.


“Quando chega a escuridão”


Enfim, dá para ser moderno, assustador, romântico, crítico, bem escrito e ainda por cima barato com um roteiro escrito por um vivo e não por uma morta-viva sem noção de psique ou construção de personagens. Já disseram muito sobre Crepúsculo, está na hora de direcionar as pessoas para os filmes de vampiro de verdade.

Esses troços são para dar medo, não é?


Por RICARDO AVARI

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